Entrevista em exclusivo aos Lisboetas Rageful

SB: Olá Rageful, obrigado por aceitarem fazer esta entrevista. Já ouvimos falar de vocês há algum tempo, quando mudaram de nome (anteriormente Wall Of Death) mas só agora é que vamos ter um álbum, Ineptitude, porquê tanto tempo de diferença?

Boas! Nós é que agradecemos o convite para falar um pouco sobre os Rageful, obrigado!

Bem, quanto à demora, passámos por algumas intempéries que fizeram retardar o processo de conceção do álbum.

Tivemos uma fase criativa sem limites de tempo impostos. Queríamos que estivesse tudo do nosso agrado e não “à pressa”.

Focámo-nos em dar o nosso melhor na construção do álbum, mudámos muitas ideias que tínhamos, achávamos nós, dadas como terminadas, e isso a juntar ao facto de a produção ter sido realizada pelo nosso baterista, que devido a limitações pessoais e temporais, fez com que o processo se tornasse mais lento.

SB: Podemos assumir, pela voracidade de “Feed The Pigs” que se baseiam no Death Metal antigo para expor o vosso som. Mas e as letras, qual foi o vosso foco?

O nosso foco são as coisas que se passam à nossa volta. Os erros que nos rodeiam, que por sua vez nos causam alguma revolta. A maior parte das letras tem uma vertente de contestação tanto a nível político quanto social.

SB: Sabemos que o álbum é gravado e produzido por vocês, como foi essa experiência, e quais as maiores dificuldades que tiveram?

Primeiro que tudo, gostaríamos de esclarecer que o álbum não foi gravado e produzido pela banda, mas sim por um dos elementos da banda, que tem conhecimentos e condições necessárias para tal.

É verdade que hoje em dia, com o avanço tecnológico ,  é, cada vez mais fácil produzir música em casa, e existem muitas bandas que o fazem, mas este não foi bem o nosso caso, pois o nosso produtor e baterista, tem investido imenso nessa área nos últimos anos, não só com o objectivo de realizar trabalho interno para própria banda, mas também possivelmente para outras bandas, começando já aqui a entrar numa outra perspectiva mais “profissional” e não tanto “amadora” ou DIY como muita gente lhe chama, mas isso já seria tema para outra conversa.

No que diz respeito à produção do nosso álbum, e devido à forma como foi feita, tivemos a vantagem de poder reescrever e alterar muitos detalhes para melhor, coisa que nunca teria acontecido caso tivéssemos optado por recorrer a serviços externos à banda, ou seja, outro produtor que não o Paulo, dado que isso teria um budget muito maior associado, deadlines, etc. Desta forma podemos amadurecer o nosso trabalho durante o tempo suficiente, sob o nosso controlo total, e graças à total entrega e dedicação do nosso amigo Paulo, que foi exigente e incansável, na busca do melhor resultado possível para este trabalho, e dentro da nossa realidade e possibilidades.

Mas nem tudo são vantagens neste modo de trabalho, muita gente não tem noção, mas é extremamente difícil gravar e produzir as nossas próprias músicas, por vezes até mesmo para produtores experientes, pois durante quanto mais tempo ouvimos as nossas próprias músicas, cujo processo é acompanhado desde o início, mais acostumados ficamos a todos os pequenos detalhes existentes, e é muito fácil perder-se a objectividade e ficar-se obcecado por certos pormenores que muito provavelmente, mais ninguém além de nós iria reparar.

Tudo isto, juntamente com a curva de aprendizagem que existiu por parte do Paulo, devido ao enorme prolongar de todo o processo, bem como melhores condições que foram surgindo ao longo do tempo (melhor material, etc) proporcionou a regravação de muitas coisas, tendo isto ocorrido alguns meses, ou mesmo um ano, depois das gravações originais.

Quase todas as captações de instrumentos e vozes foram repetidas, e em certos casos mais do que uma vez. Esta insatisfação e obcessão com todos os detalhes, retardando todo este processo, possibilitou-nos afinar e refinar tudo o que quisessemos, até ter ficado do nosso agrado.

SB: Todas as bandas têm episódios caricatos ou curiosidades no decorrer de gravações. Há algum que queiram partilhar com o publico?

 Um momento caricato, e que certamente todos terão tido a oportunidade de ver, foi durante as gravações do nosso videoclip da “Feed The Pigs” em que o João, vestido de fato e gravata e de joelhos na lama, a comer ao lado da Mummy (a estrela que fomos recrutar ao Santuário Animal Mini Pigs, Dogs and Goats).
Houve até um dos takes que teve de ser refeito porque a Mummy, sempre de apetite voraz, “lhe pediu licença” e o empurrou para comer um bocado de milho. Toda essa experiencia foi inesquecível.

SB: Quais são as expectativas para o lançamento de Ineptitude?

As reações para com o nosso videoclip foram boas. Esperamos que o álbum tenha a mesma receção. Apesar de tudo estamos confiantes do que fizemos e gostamos do resultado final. O que importa realmente é gostar do que se faz e ir a palco com gosto pois é esse, sem dúvida, o nosso ambiente natural.

SB: E depois do álbum, o que vem?

Para já vem um single que iremos lançar dia 1 de maio, a música dá pelo  nome de “The Rage is Coming”. Fiquem atentos! De seguida virá o álbum e após o álbum, bem, se as coisas começarem a correr melhor devido à pandemia, virão concertos. São estes os nossos planos, enquanto aproveitamos para compor novas malhas.

Estamos ansiosos por voltar à estrada e vos ver a todos por lá! Até já!

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